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O idds atua principalmente na área de Produção e Consumo. Base do desenvolvimento econômico, o sistema de produção e consumo tal como o conhecemos hoje tem como uma de suas decorrências mais críticas, sobretudo após a globalização e a intensificação do comércio internacional, a disparidade na transferência de lucro. E essa má distribuição de renda vem acompanhada de outros problemas de ordem sócio-ambiental.

A linearidade do sistema de produção e consumo – extração, produção, distribuição, consumo e descarte – é uma das maiores responsáveis por esse desequilíbrio. Isso acontece, basicamente, porque os sistemas industriais contrastam com os sistemas naturais, equilibrados, auto-regenerativos e sustentáveis por longos períodos. Neles, a matéria-prima é nutriente e segue o ciclo produtivo da cadeia ecológica. Entretanto, na maior parte dos diversos modelos de produção e consumo atuais, matéria-prima e produtos são simplesmente desperdiçados ao final do ciclo de vida. E o cerne do problema está na forma como produtos, serviços, sistemas e processos são projetados.

Desse modo, o design sustentável aplicado à área de produção e consumo corrige essa linearidade, tornando cíclica a vida útil de produtos, serviços, sistemas e processos, encerrando o desperdício e a má-utilização de matérias. Além disso, o desenvolvimento e a produção com base no design sustentável otimizam tempo e recursos. Conseqüentemente, a empresa que tem um sistema de produção e consumo mais eficaz trabalha melhor suas margens de lucro, aumenta o giro de seus produtos e/ou serviços no mercado, democratizando o consumo e gerando um modelo econômico mais justo e equilibrado. Pode-se, portanto, afirmar que o design sustentável torna possível o combate aos problemas globais inimigos do desenvolvimento sustentável, como a desigualdade econômica e os baixos níveis de inserção e responsabilidade social e as mudanças climáticas e seus inúmeros impactos. Assim, essa empresa estará atuando de forma sustentável, em conformidade com o conceito de sustentabilidade e seu respectivo tripé (econômico, social e ambiental).

Por essa razão, quando desenvolvemos soluções por meio do design sustentável, a questão humana é fundamentalmente considerada, e, em função desse valor, a área de Produção e Consumo passa a representar, particularmente para o idds, três sentidos distintos: o da produção, o do consumo e o da produção e consumo propriamente dita. O foco do idds abrange todos eles, de forma que para as questões relacionadas à produção, disponibilizamos soluções tecnológicas e processos, ao passo que, para o consumo, levamos em conta levantamentos e estudos com vistas às questões humanas e sociais, à educação, à psicologia comportamental e à cultura de um determinado grupo ou segmento para a criação de soluções. Em se tratando da produção e consumo, atuamos diretamente no sistema, transformando-o, por meio de diversas estratégias e ferramentas, de linear em cíclico e permitindo, assim, mudanças na sociedade como um todo, inclusive no modelo econômico, sempre com benefícios tanto para produtores quanto consumidores.

Nesse contexto, também apresentamos o nosso entendimento do que é ser sustentável para os agentes envolvidos no sistema de produção e consumo – produtores, consumidores e desenvolvedores –, assim como para aqueles tão diretamente interessados quanto na configuração de um novo momento da produção e consumo, como indivíduos, parceiros e investidores:

Produção e Consumo – eliminar o desperdício; permitir a igualdade e equilíbrio na distribuição de lucro e o acesso democrático a produtos e serviços.

Produtores – incentivar e instruir a produção sustentável por meio da aplicação de tecnologias e soluções estratégicas; produzir de forma cíclica; obter vantagem competitiva; abrir novos mercados; gerar integridade da Marca (em uma sociedade mais bem formada e informada, isso é diferencial); se adequar à evolução da sociedade, das necessidades do consumidor e das legislações, certificados, tratados, normas, metas e pactos globais; manter a Ética; ser socialmente responsável.

Consumidores – ter confiança na proveniência do produto; obter informação e educação para o consumo responsável; ter acesso a produtos e serviços provenientes do bom design (o chamado design democrático); participar mais e exercer maior influência sobre os modelos de produção.

Investidores e Parceiros – criar o chamado green chain, ou seja, promover correntes de desenvolvimento sustentável entre as matrizes, fornecedores, produtores e terceiros; gerar redes de negócios; desenvolver, organizar e promover novas oportunidades; promover o debate e o compartilhamento de informações e conhecimento.

Desenvolvedor (idds) – incentivar e desenvolver novos modelos e sistemas de produção e consumo voltando-os à sustentabilidade; criar soluções por meio de projetos, consultoria e disponibilização de informações, de forma a contribuir para a disseminação do conhecimento.

Sociedade (tanto o coletivo quanto o indivíduo) – contar com a sensação de bem-estar em relação a si mesmo, ao próximo e à biosfera; contribuir para a proliferação do conceito de sustentabilidade; contar com igualdade econômica; ajudar a promover as inclusões social e digital; obter ganhos econômicos, sociais e ambientais de um modo geral; promover fóruns conceituais e filosóficos sobre a percepção ecológica nos sistemas de produção e consumo; gerar pontos de reflexão, questionamento e proliferação de idéias, que permitam o surgimento de soluções inovadoras e sustentáveis.

 

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